Transtornos alimentares - Fique atendo aos sinais!

Compreender os sinais iniciais de anorexia, bulimia e compulsão alimentar é essencial para intervenções precoces e eficazes. Descubra como a Psicanálise revela os fatores inconscientes que moldam o comportamento alimentar, promovendo uma abordagem mais profunda e individualizada para o tratamento desses transtornos.

Sthefany Lara

1/7/20253 min read

Você já ouviu falar em anorexia nervosa – ou só em anorexia – bulimia nervosa e compulsão alimentar? Essas (e outras mais, que devo abordar ao longo dos meses) fazem parte dos chamados transtornos alimentares. Embora o nome traga consigo a palavra alimentar, esses problemas vão muito além da relação com a comida.

A Psicanálise pode nos ajudar a entender um pouco mais cada uma dessas situações, que envolve comida, mas também a relação com o corpo, com as questões sociais apontando as questões inconscientes que estruturam o comportamento alimentar.

Neste texto, abordarei os primeis sinais, aqueles que nos servem de alerta para esses três transtornos alimentares e, futuramente, falarei em específico de cada um deles. É importante reconhecer os primeiros sinais para que uma intervenção precoce seja realizada por uma equipe transdisciplinar, ou seja, que reúna diversos profissionais em diferentes áreas.

A anorexia nervosa, por exemplo, pode se manifestar por uma preocupação excessiva com o peso e a forma corporal, além de comportamentos restritivos relacionados à alimentação, como a eliminação de grupos alimentares inteiros. Na bulimia nervosa, episódios de compulsão alimentar seguidos por comportamentos compensatórios, como vômitos autoinduzidos ou uso de laxantes, são característicos. Já na compulsão alimentar, o consumo de grandes quantidades de comida em curto período, acompanhado por um sentimento de perda de controle e culpa, é o principal sinal.

Outros sinais comuns incluem:

  • Mudanças abruptas de humor.

  • Evitação de situações sociais que envolvam comida.

  • Comentários frequentes sobre insatisfação corporal.

  • Preocupação excessiva com calorias, exercício físico ou dietas restritivas.

  • Alterações no padrão de sono e aumento do isolamento.

Por que a Psicanálise?

A Psicanálise propõe que os transtornos alimentares não devem ser entendidos apenas como questões relacionadas à busca por um padrão estético, mas, também, como uma forma de expressar conflitos emocionais profundos. Segundo autores como Christopher Bollas, Nancy McWilliams, Máximo Recalcati e Domenico Cosenza, a relação com a comida pode refletir mecanismos de defesa inconscientes, como o controle sobre a fome representando uma tentativa de dominar angústia ou o ato compulsivo de comer simbolizando uma tentativa de preencher lacunas emocionais.

A anorexia, por exemplo, pode estar associada à necessidade de controle em um ambiente percebido como caótico, enquanto a bulimia pode revelar um ciclo de desejo e culpa relacionado a experiências de frustrações precoces. Já a compulsão alimentar muitas vezes representa um “aliviar” emoções reprimidas, como tristeza, solidão ou raiva.

Para a Psicanálise, não existe uma única forma de anorexia nervosa ou compulsão alimentar. Como o sujeito é escutado e para cada um deles o sintoma do transtorno alimentar que contar algo, para cada sujeito há um tipo de transtorno alimentar.

Ao abordar os transtornos alimentares pela Psicanálise, consideramos que a comida não é apenas alimento, mas também linguagem. Ela comunica necessidades, desejos e dores que, muitas vezes, as palavras não conseguem expressar. Reconhecer os sinais, compreender os fatores emocionais e buscar ajuda especializada são os primeiros passos para que a pessoa possa ressignificar sua relação com a comida e consigo mesma.

Quando buscar ajuda?

A ajuda profissional deve ser considerada ao identificar sinais persistentes de transtorno alimentar, especialmente se eles estiverem impactando o funcionamento cotidiano ou colocando a saúde em risco. Alguns passos importantes incluem: a psicoterapia, avaliação médica e não podemos esquecer também da rede de apoio, em que familiares e amigos também devem ser orientados para oferecer suporte emocional e evitar julgamentos.

Referências:

  • Bollas, C. (1992). Being a Character: Psychoanalysis and Self Experience.

  • McWilliams, N. (2011). Psychoanalytic Diagnosis: Understanding Personality Structure in the Clinical Process.

  • Recalcati, M. (2016). Clínica do vazio: anorexia, compulsão alimentar e obesidade.

  • Cosenza, D. (2020). Psicopatologia dos transtornos alimentares.